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Mossoró/RN Qua, 7/Janeiro/2009

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Notícias ClassiGuianet - Economia

Ministro Celso Amorim minimiza ataque argentino

Ministro Celso Amorim minimiza ataque argentino

Paris-Agencia Estado - O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, tentou minimizar a postura da Argentina em relação a um possível endurecimento em relação ao Brasil, dizendo que "isto surpreende, porque o presidente Kirchner confirmou sua presença na reunião de cúpula dos países árabes no Brasil", que começa na próxima semana. Segundo ele, "as relações entre o Brasil e a Argentina têm sido boas, mesmo existindo a abordagem diferente em relação a alguns temas, mas em outros, as posições são bem próximas, como o que diz respeito as relações comerciais na área da OMC".

O ministro, entretanto, admitiu que existem dificuldades antigas e por motivos históricos entre os dois países, mas disse que o Brasil sempre foi solidário à Argentina, lembrando que incomodava ao País a inclusão das Malvinas no Mapa da União Européia. Ele desmentiu que o Brasil queira assumir um papel de liderança. "Mas o País não pode deixar de fazer o que ele tem de fazer", disse.

Reunião não discutiu apenas relação com o Brasil, diz embaixador Argentino

Em Buenos Aires, o embaixador argentino junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), Rodolfo Gil, tentou baixar o volume da discussão diplomática. Ele explicou que na reunião promovida pelo chanceler Rafael Bielsa com os seis principais embaixadores da Argentina não se discutiu somente as relações com Brasil, mas também com outros países latino-americanos e com os Estados Unidos.

Segundo o embaixador, a análise da relação com o Brasil esteve presente na reunião porque "é um dos sócios mais importantes com qual a Argentina conta". "E não podíamos nos reunir para falar da situação da região, o mundo, a Argentina pós-moratória e sua colocação no cenário internacional, se não se falasse do Brasil". Gil contou ainda que também foram discutidos temas relacionados à "China e à abertura ao Pacífico; a relação com a União Européia; em uma análise da realidade regional e mundial".

Argentina quer rediscutir a sociedade estratégica, diz Amadeo

Já o ex-porta-voz da presidência e atual assessor do ex-presidente Eduardo Duhalde na presidência da Comissão Permanente do Mercosul, Eduardo Amadeo, disse que a Argentina quer rediscutir a sociedade estratégica com o Brasil. Segundo ele, a relação entre os dois países está, no mínimo, "desordenada". Amadeo afirmou que a Argentina e o Brasil precisam ter um "diálogo adulto mas sobretudo estratégico" para que as diferenças possam ser solucionadas. Segundo Amadeo, "em ambos países há pessoas que têm posições diversas e isso foi ficando claro em episódios que parecem marcar falta de diálogo".

Ex-embaixador da Argentina em Washington, Amadeo destacou que a Argentina e o Brasil não coincidiram na estratégia diante da crise política no Equador por "problemas de diálogo". Para Amadeo, na reunião que o chanceler Rafael Bielsa manteve com seis embaixadores de primeira linha em Washington, no último fim de semana, foi discutida uma agenda que "seguramente será tratada em reunião com Amorim (Celso Amorim, chanceler do Brasil) e numa conversa profunda sobre o destino das relações bilaterais e regionais".

Amadeo reconheceu que houve "ruídos ligados à criação da Comunidade Sul-Americana de Nações", cuja primeira reunião foi acertada entre o presidente da Comissão Permanente do Mercosul, Eduardo Duhalde, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mas que não contou com a presença do presidente Néstor Kirchner. A grande preocupação do governo argentino é que o Brasil esteja tentando canalizar seus interesses de liderança política e regional através da Comunidade sul-americana.

Reale Júnior e Marina Guimarães

Governo pode usar revisão de contratos no controle da inflação

Governo pode usar revisão de contratos no controle da inflação

São Paulo-Agencia Estado - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, afirmou hoje que as concessionárias de serviços públicos poderiam sair ganhando com uma eventual redução dos índices de reajuste aplicados nos contratos de concessão. Em referência à possibilidades de o governo federal aproveitar a revisão dos contratos em 2006 como um mecanismo adicional de controle à inflação, Mantega disse que este pode ser um reajuste "de interesse das duas partes".

"A renegociação é lícita, mas ela pode ser do interesse das duas partes, pois uma redução eventual dos preços pode levar a um consumo maior. A concessionária pode perder de um lado e ganhar do outro", comentou Mantega.

O presidente do BNDES destacou que, apesar de o governo insistir que não tem a intenção de romper contratos de concessão, iniciativas capazes de baratear o custo em setores, como o de energia, estão na lista estratégica do País. "Estamos interessados em aumentar o consumo de energia, em que o País tenha energia barata e que o consumidor, tanto industrial, quanto doméstico, possa estar satisfeito com um preço menor."

Mantega participou hoje de um seminário promovido pela Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib) para discutir formas de financiamento para a expansão do setor elétrico.

Preocupação com preços administrados

O interesse do governo na revisão dos contratos de concessão tem por base a pressão de alta dos preços administrados. Os contratos já estabelecidos têm índice de reajuste, cuja alta tem sido mais acentuada. Os preços administrados são um dos componentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é usado como referência para a meta de inflação.

Pesquisa realizada pelo Banco Central na última sexta-feira com analistas econômicos e instituições financeiras mostra que há nove semanas a inflação medida pelo IPCA está em alta. Nesta semana, a expectativa de inflação no varejo teve evolução mais acelerada, inclusive, que nas pesquisas anteriores, divulgadas todas as segundas-feiras. De acordo com o Boletim Focus, a projeção do IPCA para este ano evoluiu de 6,15% para 6,28% em uma semana.

Em termos porcentuais, o maior aumento refere-se aos reajustes dos preços administrados ou monitorados por contrato, que envolvem combustíveis, energia elétrica, telefonia, educação, remédios, transporte urbano, água e esgoto, dentre outros. O acumulado desses itens deve chegar a 7,65% no final do ano, e não mais os 7,40% estimados na semana passada.

Clarissa Oliveira

No acumulado do ano, saldo da balança comercial também é recorde

No acumulado do ano, saldo da balança comercial também é recorde

Brasília-Agencia Estado - O saldo da balança comercial no primeiro quadrimestre neste ano é recorde. O valor ficou em US$ 12,194 bilhões, com exportações de US$ 33,653 bilhões e importações de US$ 21,459 bilhões, que também foram recordes para o período. Na comparação com o mesmo período do ano passado, as exportações cresceram 30,8% e as importações, 21,1%. Já o saldo comercial no primeiro quadrimestre cresceu 50,7% na comparação com os quatro primeiros meses de 2004.

No acumulado dos últimos 12 meses, as exportações alcançaram pela primeira vez a marca de US$ 104,090 bilhões, um crescimento de 34,4% sobre o período maio/2003 a abril/2004. As importações totalizaram US$ 66,320 bilhões, valor também inédito para períodos de 12 meses e 31,6% superior ao período anterior. O superávit comercial em 12 meses acumula cifra recorde de US$ 37,770 bilhões, 38% maior ao equivalente período anterior de 12 meses.

Exportações e importações batem recorde em abril

O saldo da balança comercial no mês de abril também bateu recorde. As exportações e as importações no mês de abril bateram recordes para o período, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. As vendas externas em abril totalizaram US$ 9,202 bilhões, com média diária de US$ 460,1 milhões. É a maior média diária mensal já registrada nas exportações, superando a cifra anterior de junho de 2004, de US$ 444,2 milhões. Em relação a abril de 2004, as vendas externas foram 39,6% maiores.

Um outro destaque apontaram pelo Ministério são as exportações, que se mantiveram acima de US$ 9 bilhões, a exemplo de março. Na comparação com o mês anterior, as exportações cresceram em abril 9,4%.

Já as importações somaram US$ 5,326 bilhões, com média diária de US$ 266,3 milhões, também uma média recorde para meses de abril. As importações cresceram 15% em relação a abril de 2004, e mantiveram-se praticamente estáveis com uma queda de 0,7% em relação a março de 2005.

Renata Veríssimo

Valor da cesta básica acumulado no ano sobe em todas capitais

Valor da cesta básica acumulado no ano sobe em todas capitais

São Paulo-Agencia Estado - Pesquisa Nacional da Cesta Básica do Dieese mostrou que o preço da cesta básica aumentou em todas as 16 capitais do País no acumulado de janeiro a abril. Para esta comparação, as maiores altas foram apuradas no Recife (10,33%), Belo Horizonte (10,17%) e Curitiba (10,12%). Os menores aumentos foram verificados em Brasília (1,62%) e Rio de Janeiro (2,92%).

Em 12 meses, entre maio do ano passado e abril último, o comportamento foi diferenciado, segundo os técnicos do Dieese. No Nordeste, onde a cesta é composta por 12 itens, cinco localidades apresentaram variação acumulada negativa. Em Salvador a queda foi de 4,14%, seguida por Fortaleza (-2,09%), João Pessoa (-1,85%)m Recife (-1,74%) e Aracaju (-1,54%). Em Natal, o preço da cesta básica ficou praticamente estável nos últimos 12 meses, mostrando um ligeiro reajuste de 0,09%.

As cidades que tiveram suas respectivas cestas reajustadas acima de 10% de maio do ano passado a abril deste ano foram Florianópolis (16,69%), Vitória (12,99%), Porto Alegre (11,64%) e Rio de Janeiro (10,82%).

Porto Alegre teve a cesta mais cara em abril

Os gastos com alimentação aumentaram em abril para os consumidores de 15 das 16 capitais em que o Dieese realiza mensalmente a Pesquisa. O maior valor nominal foi mais uma vez registrado pela cesta de alimentos básicos da cidade de Porto Alegre. Para adquirir um conjunto de 13 itens alimentícios, o consumidor gaúcho teve que desembolsar no mês passado uma quantia de R$ 183,93. Esse valor incorpora um reajuste em abril da ordem de 4,28%.

Mas a maior taxa de reajuste da cesta no mês passado foi a de 6,53% apurada em Belo Horizonte. O valor em reais foi elevado para R$ 167,75, mas ficando ainda 8,79% mais barata que o preço pago pelos gaúchos. São Paulo mostrou a segunda cesta mais cara do País, com seu valor fechando o mês em R$ 180,93, ou 2,88% maior que em março. Na outra ponta, a única queda no preço da cesta básica foi verificada em Salvador, onde o preço médio caiu 0,78% para R$ 131,57.

Salário mínimo

Para o Dieese, o valor do salário mínimo no mês passado deveria ter sido de R$ 1.538,64. O valor foi calculado com base no preço da cesta básica em Porto Alegre, de R$ 183,15, a mais cara do País no mês passado.

O mínimo estimado pelo Dieese é 5,91 vezes o mínimo de R$ 260,00 vigente até o final de abril e 5,1 vezes acima do novo mínimo de R$ 300,00 que entrou em vigor ontem. Para o Dieese, o salário mínimo teria que ser suficiente para suprir todas as necessidades de uma família com quatro pessoas - duas adultas e duas crianças - com alimentação, moradia educação, saúde, lazer e previdência social, entre outras.

Francisco Carlos de Assis

Banqueiros alertam sobre riscos em países emergentes

Banqueiros alertam sobre riscos em países emergentes

Madri-Agencia Estado - O Institute of International Finance (IIF), entidade formada por 340 instituições financeiras privadas de todo o mundo, afirmou hoje que as condições de mercado que beneficiaram os mercados emergentes nos últimos dois anos estão terminando. Apesar de elevar a sua previsão de fluxos de capitais para os emergentes em 2005 de US$ 276 bilhões para US$ 311 bilhões - um volume apenas inferior ao recorde atingido antes da crise asiática em 1997 - o IIF manifestou preocupação com as perspectiva desses países diante da alta dos juros nos Estados Unidos, não descartando inclusive uma crise de liquidez sistêmica (redução no volume de negócios), caso eles não se preparem para um cenário mais adverso.

Para o presidente do Citibank e vice-presidente do IIF, William Rhodes os riscos para os países emergentes podem estar sendo subestimados e "devem ser encarados seriamente". Ele não descartou a ocorrência de uma crise de liquidez nos moldes das que ocorreram na década passada na Ásia. "É preciso haver uma vigilância entre os credores em relação às condições dos riscos que eles estão assumindo diante das mudanças na situação do mercado", disse.

Rhodes salientou que o Federal Reserve dos Estados Unidos elevou novamente sua taxa de juros no dia 22 de março, para 2,75%. "Nós já vimos recentemente algum alargamento dos spreads (aumento dos prêmios) nos mercados emergentes e, se essa tendência se acelerar, e se a experiência passada serve como referência, então o impacto nos mercados poderá ser substancial e as economias mais vulneráveis poderiam enfrentar desafios significativos no futuro", disse. "Crises fazem parte da vida, mas espero que as próximas sejam menos sérias."

Elogios ao Brasil

Os diretores do IIF evitaram especificar quais os países que ficariam mais vulneráveis num cenário de maior aversão ao risco entre os investidores, mas alertaram que o impacto entre os emergentes poderia ser sistêmico, ou seja, abrangente. Rhodes e outros banqueiros presentes elogiaram a política econômica do governo brasileiro, mas aconselharam que o processo de reformas no País não pode ser paralisado. "Países como o Brasil devem continuar o seu processo de reformas e, se possível aprofundá-lo", disse o presidente do Citibank.

O diretor-gerente da entidade, Charles Dallara, disse que os mercados emergentes estão se aproximando de uma "mudança crucial" e devem se preparar para tempos mais difíceis. Segundo ele, os recentes sinais das autoridades monetárias dos Estados Unidos indicam que a preocupação com a inflação poderá resultar numa alta dos juros. Segundo ele, a elevação dos preços do petróleo e a vulnerabilidade do dólar também representam riscos para a estabilidade dos mercados.

O presidente do Banco Itaú e também vice-presidente do IIF, Roberto Setubal, foi o único participante da entrevista à imprensa que demonstrou uma maior tranqüilidade com as perspectivas para os emergentes. "Muitos países como o Brasil elevaram suas reservas, adotaram um câmbio flutuante e estão preparados para enfrentar tempos mais difíceis", disse Setúbal.

João Caminoto



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